
Falar em Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva é falar sobre uma mudança importante na forma de olhar para o estudante, para a escola e para o próprio processo de ensinar.
E é justamente por isso que o Caderno 1 do MEC merece a atenção de professores, gestores e profissionais da educação, mais do que um material para ser lido e arquivado, o caderno traz elementos que ajudam a compreender por que a inclusão precisa fazer parte da organização pedagógica da escola e não ser tratada como uma responsabilidade isolada de um único profissional.
Inclusão não começa na adaptação
Um dos maiores equívocos na prática escolar é pensar que a inclusão começa quando o professor recebe um estudante público da Educação Especial e precisa adaptar uma atividade.
A inclusão começa antes, começa na maneira como a escola planeja, organiza seus espaços, estabelece relações, identifica barreiras e cria condições para que todos possam participar e aprender. Nossas reflexões devem ser sobre: O que precisamos organizar para que esse estudante possa aprender e participar?
O estudante não pode ser reduzido ao diagnóstico
Outro ponto fundamental para compreender a Educação Especial na perspectiva inclusiva é não transformar o diagnóstico em uma explicação completa sobre quem é o estudante. Uma condição, deficiência ou característica não determina sozinha aquilo que uma criança será capaz de aprender.
O trabalho pedagógico precisa considerar o estudante em sua integralidade: seus conhecimentos, potencialidades, formas de comunicação, interesses, necessidades, barreiras encontradas e possibilidades de desenvolvimento. É nesse ponto que o olhar pedagógico se torna indispensável.
Diagnóstico não substitui avaliação pedagógica e a inclusão não significa diminuir expectativas de aprendizagem. Significa criar condições para que o estudante tenha acesso ao currículo e possa avançar.
E onde entra o professor?
Entra no centro do processo pedagógico, isso não significa que o professor deva trabalhar sozinho. Pelo contrário a perspectiva inclusiva exige articulação entre professor da sala comum, Educação Especial, AEE, gestão escolar, família e demais profissionais envolvidos no processo educativo, respeitando as atribuições de cada um.
Quando essa responsabilidade é compartilhada, a inclusão deixa de depender exclusivamente da iniciativa individual de um professor, ela passa a fazer parte da cultura e da organização da escola.
Inclusão não é oferecer a mesma coisa para todos
Essa talvez seja uma das compreensões mais importantes, tratar todos de forma exatamente igual não garante igualdade de oportunidades. Alguns estudantes precisarão de diferentes recursos, estratégias, formas de comunicação, tempos, mediações ou acessibilidade para conseguir participar das mesmas experiências educativas.
Por isso, equidade não significa fazer tudo igual. Significa identificar barreiras e oferecer os apoios necessários para que cada estudante possa participar e aprender, no entanto isso exige planejamento.
O verdadeiro desafio está na prática
Conhecer os documentos oficiais é importante, mas conhecer a legislação e as orientações do MEC não basta se esse conhecimento não chega ao planejamento, à sala de aula, à avaliação e às decisões pedagógicas.
O desafio da Educação Inclusiva está justamente em transformar princípios em práticas é perguntar, avaliar diariamente:
Quem está participando?
Quem está aprendendo?
Que barreiras estão impedindo esse estudante de avançar?
Que estratégias podemos modificar?
Que apoio é necessário?
Como podemos acompanhar esse desenvolvimento?
Estudar para incluir melhor
O Caderno 1 é um convite para ampliar nosso olhar, porque uma escola inclusiva não se constrói apenas com boa vontade. Constrói-se com conhecimento, planejamento, trabalho colaborativo, acessibilidade, avaliação contínua e compromisso com a aprendizagem de todos, e esse estudo não precisa acontecer de forma solitária.
No canal Edilaine Geres, no YouTube, estou realizando uma série de estudos sobre os Cadernos do MEC, percorrendo os materiais e trazendo os principais pontos para a prática de professores e gestores.
Porque acredito que quanto mais compreendemos a Educação Inclusiva, mais preparados estamos para transformar a realidade dentro da escola. Talvez essa seja a grande provocação do Caderno 1: não basta garantir que todos estejam na escola. Precisamos construir condições para que todos possam pertencer, participar e aprender.
Participe do nosso canal e estudos! Abraços, Edilaine